Agência “Énois” reúne trabalho jornalístico produzido por jovens da periferia

Fazer parte da história e contribuir de maneira positiva com a região em que vivem são algumas das necessidades de muitos jovens da periferia. É com o esforço de alguns deles que foi criada uma agência produzida inteiramente por jovens. A iniciativa partiu das jornalistas Nina Weingrill e Amanda Rahra.

A Énois – Agência Escola de Conteúdo Jovem é resultado de um trabalho que começou em 2009, quando Nina e Amanda conheceram uma ONG no Capão Redondo e passaram a oferecer oficinas aos jovens. Elas deram aulas de jornalismo com o intuito de produzir um fanzine, que, posteriormente, tornou-se uma revista para a comunidade.

A publicação foi batizada de “Zzine”, em referência ao nome da ONG Casa do Zezinho, e é distribuída em onze escolas da região. Parte do grupo também utiliza as redes sociais para chegar a um número maior de pessoas. Há também uma edição especial, Zzine na Copa, produzida entre os meses de maio e junho de 2011.

Outra revista produzida pelos jovens é a “Na Responsa”. Através das reportagens, os envolvidos buscam promover o consumo responsável do álcool. A área de responsabilidade social da Ambev distribui a publicação gratuitamente em mais de 18 ONGs brasileiras. Veja aqui a relação das ongs.

Além das revistas, dez jovens abasteciam um canal chamado Antenas, no site da CBN, espaço que usam para falar sobre suas comunidades, como São Miguel Paulista, Heliópolis, Jardim Ângela, Capão Redondo e Brasilândia. “Em todas essas ações, os jovens são protagonistas na produção de conteúdo e também inteligência. Junto com mentores do mercado, eles produzem revistas, aplicativos, sites, eventos, etc, direcionados sempre ao público jovem”, afirma Nina.

Para realizar tantos projetos diversificados, os jovens passam por uma formação em comunicação. Durante o curso, são usados os conceitos do jornalismo, design, cinema, fotografia e tecnologia. Já são mais de cem formados que são selecionados para cada projeto de acordo com suas aptidões.

A cultura periférica tem ganhado mais espaço nos meios de comunicação. Para Nina, o fato das ações, projetos e agendas culturais terem mais visibilidade deve-se ao aumento do poder aquisitivo.

“Com a ascensão da classe C, bancos, redes de varejo e marcas querem cada vez mais se aproximar das comunidades, entender suas necessidades para que possam apresentar serviços e produtos mais acertados – construindo um diálogo antes inexistente. A ‘Énois’ entra nesse movimento para capacitar o jovem, que é hoje o principal ator dessa história, para que ele possa exercer seu papel comunicador, dizendo com clareza o que pensa sobre sua realidade”.

O trabalho mais recente da agência é o Cultura de Ponta, realizado em parceria com o Afroreggae, Fiesp e Santander. Trata-se de um canal dentro do portal Catraca Livre que informa sobre eventos culturais, oficinas e serviços de saúde que acontecem nas regiões periféricas.

“Por trabalharmos diretamente com os jovens de periferia, sentimos neles a necessidade de comunicar o que ‘rolava’ de bom em cada comunidade. Valorizando artistas locais e histórias que estão surgindo por lá. Fomos então de encontro com uma necessidade antiga que o Catraca Livre tinha em dar uma cobertura mais abrangente da cidade toda”, explica Nina.

Os internautas também podem enviar informações sobre agendas ou serviços através do email:culturadeponta@catracalivre.com.br.

A agência Énois teve muito trabalho antes de torna-se uma realidade. Tanto empenho teve como consequência a credibilidade e o reconhecimento do Projeto Visão de Sucesso, da Endeavor, que ajuda a estruturar o modelo de negócio da escola, além de fazer a ponte com fundações e empresas interessadas nos negócios sociais.

Exemplo de como a agência já ganhou destaque no setor é o fato de terem participado de um processo de think tank (espécie de reunião de ideias) realizado pela agência Purpose, de Nova York, em São Paulo. A Énois debateu as formas como uma ação de comunicação poderia dialogar melhor com jovens da periferia.

site Énois reúne um pouco do trabalho feito atualmente. Em longo prazo, a dupla de jornalistas espera que a formação em comunicação se amplie para os jovens de todo o Brasil.

“Mais do que ler ou repercutir esses movimentos de periferia, o jovem busca ser o produtor deles. Ele lê aquilo que o amigo escreve. Participa e confia mais no que o amigo posta no Facebook do que o que lê na Folha de S. Paulo, por exemplo. É uma geração que têm orgulho de onde vêm e quer construir ali bases mais sólidas para o seu desenvolvimento e para o de outras gerações também. Nosso trabalho é dar ferramentas para quem tem essa vontade. Para que possa fazer mais e também com mais qualidade ao se comunicar melhor”, conclui Nina.

Por Marcia Sousa  Redação CicloVivo

1 Comentário

  1. Parabéns, Nina! Muito sucesso na formação dos jovens em comunicação. É um trabalho social importante, inovador e empreendedor. É uma esperança e um caminho alternativo para o jovem da periferia para quem as portas das escolas, da educação e das oportunidades geralmente se fecham, reforçando a exclusão social. Desta forma, ficam à margem da sociedade, às vezes só restando como opção a violência , o tráfico e as páginas de jornal em que figuram como infratores.
    Suraia

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