renata-felinto-450x600No dia 25 de julho de 1992 foi criado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que marca o processo de luta dessas mulheres contra o racismo, o sexismo e o preconceito. Uma das representantes dessa luta é a artista visual Renata Felinto, que encontrou em suas obras uma forma de ativismo.

Nesta entrevista, Renata fala sobre o espaço dos negros nas artes e conta porque e como ela usa seu trabalho para mudar esse cenário.

Qual a importância na criação do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha? Existe algum motivo para se comemorar esta data?
Não a vejo como uma data comemorativa, mas sim como um símbolo que marca a luta da mulher negra. Esta é uma data para refletir, informar, conscientizar, para relembrar a resistência e homenagear as mulheres que conquistaram seu espaço. Em qualquer lugar do mundo a mulher negra encontra-se em um ambiente hostil. Exemplo disto é o momento do parto, quando ela recebe menos anestesia que mulheres brancas. É preciso entender o quanto nós somos importantes: a mulher negra é o alicerce deste continente.

Como você vê o espaço da mulher negra nas artes?
Ainda há muito para ser conquistado. A suspensão do edital Edital Prêmio Funarte de Arte Negra é um exemplo que mostra que a arte negra ainda não é compreendida e a predominância de obras produzidas por brancos não é questionada. E, quando existe um espaço para produções de artistas negros, isso se torna panfletário. Os espaços não abrem possibilidade de diálogo. Não é um ato separatista, mas sim específico. Chegam poucos convites para exposição, muitas vezes eu mesma tive de ir atrás.

Porque a escolha de se autorrepresentar nas obras?
Quando trabalhava em museus, era muito cobrada para saber tudo sobre a cultura africana. A partir daí, comecei a questionar por que eu tinha cursado Artes e surgiram reflexões sobre meu corpo e meu cabelo. Comecei, então, a fazer autorretratos. Já me representei como mulheres de diversas culturas, como alemã, indiana e tupinambá. Gosto de pensar que minha imagem é um suporte para as ideias.

Renata Felinto

Quando escolheu estudar artes plásticas, você já tinha em mente que ia usar isso como forma de militância?
Não imaginava. Na universidade não tinha muita coisa a ver comigo. Faltavam estéticas que dialogassem com a minha essência e isso me fez ir atrás de referências, o que fez com que eu chegasse às produções de hoje. Não tinha importância se o mercado não me quisesse, resolvi ser franca comigo mesma.

Por que você fez a intervenção “Também Quero Ser Sexy”? Como foi esse momento?
A performance foi realizada no início de dezembro de 2012, na Oscar Freire. O projeto é uma alusão ao Black Face, que é quando brancos pitam o rosto para “interpretar” negros, mas eu fiz o contrário. A iniciativa é uma forma de desabafo de um ressentimento, dessa estética branca que nos é imposta, dessa ideia de que o cabelo loiro é um símbolo de sensualidade. Tentei entrar em várias lojas para fazer o trabalho, mas só me deixaram entrar em uma loja

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