“Ei, essa história é minha!”, um grito na plateia interrompe o espetáculo teatral. O que poderia parecer um incômodo aos atores tornou-se, na verdade, uma das histórias que marcam a história do grupo Pombas Urbanas. O grito surpreso e espontâneo foi apenas uma das demonstrações – talvez a mais inusitada – de que o coletivo está atingindo um de seus objetivos: fazer com que suas produções dialoguem com a comunidade.

divulgação

A história do projeto começou em 1989, quando o peruano Lino Rojas resolveu deixar de ser professor universitário para formar pessoas de uma realidade diferente, a da periferia. Foi parar, então, na Oficina Cultural Luiz Gonzaga, espaço que fica em São Miguel Paulista, zona leste.

Lá, ele criou o projeto “Semear Asas”, iniciativa que dava formação teatral e que se tornaria o berço do Pombas Urbanas, que inicialmente se chamava “Da Comunidade ao Teatro do Teatro a Comunidade”. “O bairro São Miguel foi escolhido pelo Lino por sua riqueza cultural, representada, por exemplo, pela presença de muitos imigrantes nordestinos”, afirma Marcelo Palmares, integrante e um dos fundadores do grupo.

Hoje Marcelo integra, com mais sete atores, o Pombas Urbanas, que divide com mais quatro grupos culturais o Centro Cultural Arte em Construção. O galpão fica em uma avenida de Cidade Tiradentes, extremo leste da cidade, e tem teatro, biblioteca e laboratório de informática, entre outros espaços.

Em setembro de 2013, eles organizaram o 5° Encontro Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo, que reuniu artistas de países como Cuba, México, Chile e Argentina. “Foi importante ver Cidade Tiradentes deixando as capas do jornal com o tema da violência pra estampar as edições de cultura”, diz.

Pombas Urbanas em ação

O caráter cultural do bairro surpreendeu até seus moradores. “No começo, muitos estranharam a presença do Arte em Construção na região, afinal, eles não estão acostumados com esse tipo de espaço aqui”, diz Marcelo. Mas isso foi por pouco tempo: agora, a comunidade sempre participa das atividades promovidas no lugar e é a maior fonte inspiradora do grupo.

Uma das formas de dialogar com a realidade e a população local é o encontro “Café Memória”, em que moradores compartilham suas histórias sobre o bairro. A ideia é que em 2014, no aniversário de 25 anos do Pombas Urbanas, ele montem um espetáculo inspirado nesses relatos.

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