As inseguranças do jovem de periferia e sua relação com a aparência e a independência financeira são temas abordados no curta “Mano Invisível”, dirigido por Bruno Saggese e produzido por Nina Vieira.

A ideia nasceu em 2010 e a produção durou cerca de um ano. Para criar a animação, o diretor teve como referências cartoons antigos, americanos e russos dos anos 50 e 60. A ideia recebeu incentivo do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), o que foi essencial para a realização do projeto.

aPara o futuro, a dupla tem projetos de uma produção no estilo “Mano Invisível” com protagonistas femininas e uma abordagem voltada às questões da mulher.

Confira a entrevista com o diretor Bruno Saggese:

1. Quando e como surgiu a vontade de fazer o curta?

Eu e a Nina, produtora executiva e co-roteirista do projeto, dávamos oficinas na Fundação Casa. Comecei a produzir para um curso o curta “Os Três Porquinhos” e em meio a esta produção, surgiu a ideia de mandar para o VAI um projeto de animação voltada para o jovem da periferia. Esta foi uma forma de dialogar através de um formato com que eles têm familiaridade. Nesse contexto, pensamos numa mensagem que gostaríamos muito de expor, tendo como base o contato com os internos da Fundação, a linha de raciocínio que víamos neles e que na grande maioria dos casos os levou até lá.

2. Quais foram suas referências? Como foi feita a pesquisa?

O trabalho com os adolescentes da Fundação Casa certamente foi nosso maior observatório, isso nos deu toda a base para criar diálogos e situações orgânicas e reais. O desafio seria desenvolver um meio de convergir nossos personagens e nossa realidade com essa linguagem por meio de formas, cores e movimentos.

3. Como você construiu os personagens?

Quando começamos a pensar na ideia, tudo foi sendo localizado intuitivamente. Víamos sempre os meninos discutindo sobre roupas, acessórios, tênis, motos etc. Então logo veio essa imagem, de um personagem que geraria toda essa comoção simplesmente exibindo esses objetos de cobiça, mais nada.

4. De que forma você espera que a animação dialogue com os jovens da periferia?

Primeiramente, só o fato de o jovem assistir numa mídia aparentemente distante um conteúdo que está retratando sua realidade, com figuras à sua semelhança, falando suas gírias e discutindo questões existentes em seu universo, já é por si só um acontecimento, já gera um sentimento de inclusão. Além disso, a história tenta incentivar uma reflexão sobre bens materiais versus conteúdo e atitude. Em determinado momento, até nos perguntamos se estávamos sendo panfletários demais. É curioso que na medida que a produção vai sendo realizada, as pessoas vão palpitando e vemos como há inúmeras formas de interpretação que inclusive fogem de nosso controle. E é maravilhoso que isso aconteça. É uma forma de ver o que eu nunca tinha imaginado e acaba sendo mais uma crítica que embutimos no filme sem querer querendo.

Assista ao curta:

1 Comentário

  1. devagar as novas gerações terão a felicidade de ser livres de, preconceitos e, com liberdade de expressão, e em um mundo melhor. Em 60 anos de vida, o brasileiro parece que vivia em uma caixinha escura. Hoje estamos vivendo melhor porque, existem que colocam suas ideias em práticas. È muito bom esse vídeo. Deveria ser mais comentado e divulgado;

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