Bruno, Camila, Vanessa e Kaue saíram da escola, questionaram o modelo de ensino tradicional e resolveram inovar na forma de ensinar. Acreditaram que aprender pode ser divertido, democrático, instigante e, acima de tudo, transformador – principalmente para eles mesmos.*


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“Acho que fui atraído pela transformação que podemos fazer na vida dos outrs”, diz Bruno Correia

Texto: Vanessa Ribeiro e Harrison Kobalski
Arte: José Azevedo
Foto: Julia Motta

SINTONIA FINA

Quando Bruno Correia, 22 anos, era aluno, jamais passou pela sua cabeça a possibilidade de se tornar um educador. “Eu simplesmente achava que aquilo não era para mim”, conta. Em 2006, ele entrou para a UNAS – União de Núcleos e Associações de Moradores de Heliópolis e Região, em São Paulo, e começou a participar de projetos sociais.

Ali, sem perceber, já estava se deixando seduzir pelo prazer de ensinar e compartilhar. “Fiz muitos amigos e aprendi muitas coisas novas. Mas o mais interessante foi perceber o impacto dos projetos na vida das pessoas, que se reuniam para tentar melhorar o lugar onde vivem”, lembra. Em 2010, ele foi chamado para o projeto Jovens Alconscientes, de conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

Nos dois anos de formação, saía pela comunidade replicando conhecimento, além de acompanhar ações como a Balada Black, a Blitz Heliópolis e o Festival Helipa Music.

Até que, no ano passado, Bruno queria descolar uma grana e acabou topando ser educador nesse mesmo projeto. “Recebi o convite e aceitei sem pensar”, diz. Com o tempo, foi ganhando confiança e se soltando.

Hoje, em suas oficinas, ele fala com naturalidade sobre álcool e sexo com jovens de 14 a 18 anos. O segredo? Transmitir conteúdos sérios de uma forma engraçada.  O fato de ter passado exatamente pela mesma formação que seus alunos ajuda bastante.

“Sei como eles pensam e o que querem que aconteça numa aula para que o clima não fique rígido como na escola”, explica. O sorriso no rosto denuncia o sentimento de realização.  A responsabilidade é grande. O que ele leva aos seus 20 alunos é replicado para mais de 6 mil pessoas da comunidade. Ensinar, ele diz, é aprender duas vezes.

“Acho que fui atraído pela transformação que podemos fazer na vida dos outros. Se uma ou duas pessoas saírem daqui com mais consciência, já é uma vitória”. Uma mudança e tanto para quem nem sonhava em dar aula.

*Os demais perfis desta reportagem serão publicados no decorrer da semana.

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