“Eu lembro que estava tremendo demais, aí eu escondi as mãos atrás das costas, porque eu pensei: pô, meu, se eu passar insegurança, já era.” Assim, Vanessa Oliveira, 20 anos, conta como foi entrar na sala de aula pela primeira vez no papel de professora.

Mesmo com tudo preparado, ela sentiu ali a pressão que é estar diante de 46 alunos. Vanessa está no segundo ano da faculdade de comunicação e já trabalha como professora de filosofia e sociologia para três turmas. Mas isso não é o mais surpreendente.

Quando percebeu o desinteresse dos seus alunos em sala de aula, foi em busca de alguma coisa que pudesse chamar a atenção dos jovens e retomar neles a vontade de aprender. “Descobri que seria possível ensinar temas importantes por meio da prática jornalística”, diz.

Então escreveu um projeto para dar oficinas de produção de fanzine nas suas horas vagas – voluntariamente – e apresentou a pro- posta para a direção da escola. “Eles ficaram surpresos, porque não estavam acostumados a receber pedidos desse tipo. Mas toparam. Juntamos 20 alunos e começamos em abril”, lembra.  O impacto foi grande. No começo, nenhum dos jovens tinha ideia do que era jornalismo.

Agora alguns já consideram trabalhar com isso. “Sinto que eles são mais questionadores na oficina. Anotam as coisas e fazem perguntas. Criamos um ambiente em que o jovem pode escolher e conversar, e isso o motiva”, diz Vanessa. Apesar de ter seis professores na família, incluindo a própria mãe, que dá aula há 23 anos, ela conta que o interesse em dar aula surgiu na faculdade, observando o jeito de um professor.

“Aí eu pensei: é isso que eu quero”, conta. A insegurança não atrapalhou a tão temida primeira aula, que foi um sucesso. A tática que ela usou para entreter os alunos foi simples: levou música e fotografia, tudo muito familiar para os adolescentes. Isso só fez com que curtisse ainda mais a experiência. “Eles se interessaram de imediato, foi muito legal. Eu saí de lá flutuando, parecia que eu estava em outra dimensão”, lembra.

Texto: Vanessa Ribeiro e Harrison Kobalski
Arte: José Azevedo
Foto: Julia Motta

Este perfil faz parte da reportagem “Deixa que eu ensino”

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