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Em sala de aula, Kaue Lima faz de tudo para questionar o jovem e fugi do clássico GLS (giz, lousa e saliva)

Texto: Vanessa Ribeiro e Harrison Kobalski
Arte: José Azevedo
Foto: Julia Motta

Um belo dia, a mãe de Kaue Lima, que é professora de matemática, fez a seguinte proposta: “Por que você não vai dar aula?” Ele topou. Na verdade, seu sonho era outro. “Eu queria me formar em direito, só que eu sou da periferia, não tenho muitas condições financeiras”, conta.

No começo, dar aulas seria algo temporário. O plano era juntar dinheiro para poder cursar direito. Enquanto isso, foi fazer faculdade de história, outra paixão. Hoje, o jovem professor dá aulas para o ensino regular e para o EJA (Educação de Jovens Adultos) no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo.

Seus alunos o elogiam no Facebook e ele comenta: “É fundamental enxergar o aluno como pessoa, não só como parte do trabalho”, afirma. Mas sua relação com os estudantes tem regras. Uma delas é nunca revelar a idade – rola um receio de acharem no EJA que ele é novo demais. E, no ensino médio, teme que os alunos ultrapassem os limites por terem quase a mesma idade. A propósito, ele tem 22 anos.

E é por isso que tenta fugir do estilo GLS (giz, lousa e saliva). “Quando eu era aluno, achava que passar texto era uma coisa antiquada.” Então resolveu tratar o jovem como gostaria de ser tratado: instigando-o a pensar fora da caixa. Kaue tem nada menos que 660 alunos. A cada ano leciona em uma escola diferente, porque não tem cargo efetivo.

Nos dias difíceis, quando a sala está agitada, faz questão de provocar: “Homens que viviam acorrentados em uma caverna acreditavam que as sombras que enxergavam na parede eram a realidade. Aqueles que conseguiram sair descobriram que as sombras eram, na verdade, de homens como eles. E mais, que fora havia um mundo inteiro para ser descoberto. Cabe a cada um escolher ficar dentro ou fora da caverna”, diz, citando Platão para chamar a atenção. Ele curtiu tanto essa história de ensinar que deixou o sonho de ser advogado para trás e descobriu que sonhar é bom, mas a realidade pode ser ainda melhor.

#FICADICA

Ficou a fim de dar aula mas não sabe se  tem jeito pra coisa? Teste sua oratória –  e conhecimento – no Escola Livre.  O projeto, do site Catraca Livre, recebe vídeos de jovens que querem ensinar temas que podem cair no vestibular. E ainda vai premiar com tablets os vídeos mais votados pelo público. Acesse para participar:  www.escolalivre.me.

Fique ligado também no Educ.Ação, coletivo que está dando a volta ao mundo para descobrir escolas que inovam na educação: www.educ-acao.com.

Este perfil faz parte da reportagem “Deixa que eu ensino”

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