Por Gabriel Amorim, 18 anos, morador de Nilópolis, no Rio de Janeiro

Quando eu era criança, minha cor preferida era rosa e eu ouvia as pessoas dizendo que eu deveria gostar de azul porque rosa era “coisa de menina”. Eu ficava um tanto confuso e indignado:

“Por que eu não podia gostar de rosa e quem inventou essa história?

Resolvi conversar com outros meninos da minha idade e vi que não era só comigo que tinha essa cobrança. E que não era só eu que não entendia essa divisão do mundo direito.

Renan França, 19, costumava ouvir o pai falar que ele devia beber porque era “coisa de macho”. Ele, mesmo sem ter idade nem vontade, acabava bebendo mesmo achando o gosto horrível.

Já o pai do Guilherme Ferreira, 18, queria que ele jogasse futebol: a tal “coisa de menino”. Só que ele queria ficar dentro de casa assistindo TV. Na cabeça dele, futebol era besteira, só que ele acabava jogando pra agradar o pai.

“Quando meus pais se divorciaram, eu comecei a poder fazer o que eu queria e aí assistia até os desenhos da Barbie.”

Foto: kristin_a/CC BY-SA 2.0

Nós, meninos, aprendemos desde cedo onde estamos na divisão machista do mundo e fazemos essa ideia continuar quando aceitamos regras que parecem ingênuas como não chorar porque “é coisa de menina”, brincar só com super-heróis, carrinhos e futebol e não com brinquedos ou esporte vistos como “femininos”.

A idealização do que é ser menino ou menina enquadra as pessoas em uma forma de agir de acordo com o sexo (macho ou fêmea) e cria desigualdade.

E, muitas vezes, essa visão está tão incrustada na gente e na sociedade que é repetida e transmitida por nós mesmos, até eu, o Renan e o Guilherme.

Ainda bem que não sou só eu que ando incomodado com isso. A ONU entrou na discussão contra a desigualdade entre meninos e meninas com a campanha He for She (Elesporelas, aqui no Brasil), que insere os homens na busca pela igualdade entre os gêneros.

Em um dos discursos da campanha (que pode ser assistido em inglês aqui), Emma Watson, a Hermione Granger do Harry Potter, chama todo mundo — inclusive os meninos — a se engajarem contra o machismo e a luta pela igualdade entre homens e mulheres.

emmawatson

Ela conta que desde muito nova começou a questionar divisões.

“Quando tinha 8 anos me sentia confusa por ser chamada de mandona por querer dirigir as peças que fazíamos, mas os meninos não eram.”

No vídeo, ela conta que desde cedo foi sexualizada pela mídia, que teve amigas que largaram esportes que não eram vistos como adequados e amigos que não podiam expressar sentimentos.

Mais perto da gente, a Tamires Silva, me contou que não podia sair com os amigos porque seus pais achavam que ela ficaria “mal falada” pelo bairro e ainda tinha de ouvir que “se fosse menino, eu até deixava.” Só foi “liberada” quando fez 18 anos e começou a namorar com um menino que seu pai aprovou.

Também contribuem para a mudança decisões como a da Amazon de retirar o filtro de brinquedos “para meninas” e “para meninos”, ajudando a desconstruir as limitações em relação aos esteriótipos de gênero.

Para terminar com a desigualdade entre meninos e meninas, todo mundo tem de estar envolvido em pensar e discutir o assunto, olhar o que oprime cada um, desconstruir os preconceitos e criar uma sociedade igualitária entre homens e mulheres.

Como disse Emma Watson no discurso: “Se não eu, quem? Se não agora, quando?”

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