Por Karoline Maia, 21, do Jardim Maia, zona leste de São Paulo

Como explicar para uma menina de 12 anos que ela pode ser assediada sexualmente? Que ela pode ser estuprada se andar sozinha à noite na rua? Que ela é socialmente inferior a um homem só por ser mulher?

Tenho uma irmã de 12 anos e, numa noite dessas, estávamos eu, ela e meus pais trocando umas ideias e chegamos ao assunto: assédio sexual no espaço público.

Comecei a alertá-la: Você vai ouvir coisas nada agradáveis de homens que se sentem no direito de acabar com a paz de uma mulher pra “elogiá-la”. Dei algumas dicas: ande sempre de fone de ouvido pra tentar não ouvir coisas nojentas e ofensivas, responda quando achar que deve – mas pense que, em algumas situações, responder pode ser perigoso.

E daí, no meio do meu discurso, me liguei: cara, eu não deveria precisar fazer isso! Nenhuma mulher deveria ouvir avisos ou instruções de segurança caso seja assediada! Nenhuma mulher deveria ser assediada.

Lembro que eu tinha uns 6 anos quando um menino, que deveria ter a mesma idade que eu, passou a mão na minha bunda. O sujeito desde cedo foi educado a ser babaca e eu, a ter medo. Não fiz nada: fiquei assustada e envergonhada.

Aquilo não foi uma brincadeira de criança, foi a reprodução de atitudes adultas, de um comportamento machista e opressor. Os homens não nascem machistas, aprendem a ser.

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Ao trabalhar numa pesquisa realizada pela Énois, sobre como o machismo e a violência contra a mulher atingem as meninas das periferias do Brasil, tive a oportunidade de ouvir histórias de 7 meninas, que contaram, em um vídeo (veja o resultado abaixo), situações machistas que viveram. Ali, tive a dimensão do problema: o machismo atrapalha a vida de uma mulher com muito mais força do que eu poderia pensar.

O machismo faz uma mulher ser assediada na rua, tira dela oportunidades de emprego, de descobertas, acaba com a nossa autoestima, nossa segurança. Ele nos tira o direito de ir e vir. Tira nossa paz.

Quando mostrei o vídeo pro meu pai, ele disse: Aprendi muito com isso. Quando mostrei para a minha irmã, infelizmente, ela se identificou com algumas partes. E não foi só ela. Exibimos esse vídeo durante o Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres e ouvimos risos envergonhados da plateia sobre situações descritas pelas jovens entrevistadas.

Enquanto as mulheres se identificarem e viverem situações machistas e os homens ainda tiverem que aprender com as histórias, precisaremos do feminismo, da militância, precisaremos, mais do que nunca, umas das outras.

Por isso, lançamos pela Énois a campanha #meninapodetudo, porque acreditamos que, sim, podemos tudo e podemos chegar onde quisermos. Convido você a acessar nossa pesquisa na íntegra, a assistir ao vídeo e a contar sua história nas redes sociais. Não esqueça, use a hashtag #meninapodetudo pra gente poder te encontrar 😉

 

 

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