Texto: Maryane Silva

Quando pergunto para os amigos o que eles querem comprar – ou se tivessem mais dinheiro, o que eles comprariam –, dificilmente escuto “carro” como principal objeto desejado.

As respostas são muito mais o último modelo de smartphone, uma roupa bem cara ou um tênis de marca.

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Em outros países, a tendência parece ser essa. Segundo dados da agência de pesquisa Gartner, que entrevistou motoristas norte-americanos entre 18 e 24 anos, a história se confirma:

46% declararam que preferem acesso a Internet a ter um carro.

Em outra pesquisa, realizada pela MTV Scratch, das 10 marcas preferidas dos consumidores nascidos entre 1981 e 2000 nos Estados Unidos, nenhuma é de carro.

Investigando o tema por aqui, o único dado que encontrei e que indica que o carro já não é o maior sonho do jovem foi da pesquisa O Sonho Brasileiro, realizada em 2011 com jovens de 18 a 24 anos: 55% sonham com a formação profissional, 15% com a casa própria, 9% com dinheiro e apenas 3% com carro, moto e eletrodomésticos. Além disso, alguns estados registraram queda no número de emissão de exames psicotécnicos para carteira de habilitação. 13% a menos em Minas Gerais e 17% a menos em São Paulo, entre os anos de 2014 e 2015.

Se isso quer dizer que os jovens deixaram de desejar o carro ou se os dados são reflexos de um recorte específico ou parte de um contexto econômico, por exemplo, não soube responder. Então fui investigar! Lançamos um questionário online pedindo para jovens, entre 15 a 24 anos, responderem sobre como é sua relação de mobilidade com a cidade. E, no meio disso, se o carro ainda era prioridade. Obtivemos 117 respostas, de jovens moradores dos Estados São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina.

Veja abaixo o que descobrimos:
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Daí você vai dizer: aí, nada mudou. Mas não é bem assim.

As outras respostas dão indícios de que querer um carro não está relacionado com status e poder de compra ou desejo. “Uso o transporte público 50% do meu tempo, mas aumentaria essa proporção se as condições fossem melhores. Principalmente a segurança, já que andar de ônibus, por exemplo, nos deixa mais vulneráveis por estarmos a pé”, afirma Alessandro Feitosa, 18 anos, morador do Jardim Coimbra, São Paulo. Outras coisas, como o tempo, aparecem como fatores cruciais, já que a média diária de horas no trânsito dessa galera é de 1 hora e 51 minutos.

Mais conforto, liberdade e rapidez, são os motivos porque o carro ainda desperta interesse nos jovens.

A maioria, no entanto, usa o transporte público para se locomover.
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Mas não estão contentes com a estrutura dos transportes em suas cidades.
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Por quê?
O que mudariam, no entanto, não seria o preço dos carros. Mas sim: 41% dos jovens gostariam que tivesse corredor de ônibus no seu bairro.

Mapa de distribuição das linhas de ônibus
Mapa de distribuição das linhas de ônibus

63,2% não possuem ciclovias ou ciclofaixas nos seus bairros. E 82,8% gostariam que tivesse.

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