Texto: Tiago Tuiuiú

É um trecho da própria música que explica como o rapper Dee sente a escolha que fez na vida, há 3 anos: tentar viver só do que ganha fazendo música – e só da que ele faz.

Antes disso – numa trajetória que começou no berço, se firmou no gospel e ganhou corpo no rap -, Dee ganhava grana como vendedor no shopping e cantando com outros artistas, compondo junto ou como parceiro de eventos. Juntando os dois mundos, não se completava, mas colocava algum dinheiro no bolso e seguia.

Seguia até que, em 2012, se sentiu forte pra arriscar a vida só de música.

Ele tinha começado a cantar em shows de rappers mais conhecidos como Kamau, Slim Rimografia e Fernandinho Beat Box e sabia que contaria sempre com a ajuda do pai, da família, dos amigos e da namorada Tina.

“Se não tiver o apoio, você até faz, mas é doloroso.”

Música é sentença
Da família veio o apoio, o apelido que virou nome artístico e a veia da música. Ansioso pela estreia, Dee chega ao mundo prematuramente com 6 meses de vida, e em seu berço encontra muito som.

O pai, Nilson Paula, motorista de micro ônibus e trombonista de fanfarra, era fascinado por discos e entregou ao garoto um tesouro: o acervo de músicas em vinil. Dee descobre de samba a música erudita e cresce treinando os ouvidos pra calcular acordes e métricas.

A mãe, Edmeia de Oliveira, levava a vida a cantar. Na igreja evangélica e como backing vocal de várias bandas, entre elas a “Raça Negra”, sucesso nos anos 90 com músicas como Cheia de Manias, Cigana e Maravilha.

Foto: Loredana OliveiraO Rap é uma herança da escola. Aluno, cantava “Zom Zom”, música do Dinamite99, na sala e estudou a fundo “Sobrevivendo ao Inferno”, do Racionais Mc’s, de 1997. “Foi mágico mano, eu escutava um monte.”

Aos 8 anos, Dee tinha um grupo de pagode com os primos – entre eles o até hoje parceiro de trabalho Filiph Neo – e foi com eles o 1º show, numa festa de família. Ninguém tinha instrumento e lá veio de novo o apoio do pai, que o presenteou com um repique, carregado pra cima e pra baixo em sacolinhas de plástico do mercado.

Aos 16 anos veio a sentença. “Eu falei: é isso que eu quero pra minha vida.”

E montou um quarteto de R&B gospel com os primos, o LAEL, consagrado a deus. Até os 20, viajou com o grupo cantando em eventos e igrejas evangélicas.

Fatura cobrada
Depois de um tempo cantando letras de outros rappers, Dee formou o coletivo 5pra1 com Willian Simões, Rennan Saman e o primo. A grana é pouca – “uns meses R$ 600, outros R$ 50” -, mas o reconhecimento já veio.

Se apresentaram pro rapper Max B.O. no programa Manos e Minas, da TV Cultura, e já estão lançando o 2º trabalho, Goodfelaz, pela produtora Boogie Naipe, do grupo Racionais Mc’s, que também faz a agenda de shows e divulgação.

“Mano é complicado. Às vezes você fica muito sem tempo fazendo o corre das músicas, mas não tem show. E, aí, como se manter?”

O envolvimento com a música e os shows fez Dee largar os estudos aos 16. Hoje ele lamenta, reconhece ali uma de suas deficiências.

Pra ele, sair do lugar comum e conciliar isso com alguma grana é o principal desafio para um músico. Fazer o que gosta todo mundo quer, claro, mas ganhar dinheiro também é necessário para se manter e o trabalho continuar. Pra isso, o público precisa escutar.

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