Texto: Ariane Assunção

De todas as vezes que você foi a um festival de música, quantas bandas tinham pelo menos uma garota tocando um instrumento musical?

O Lollapalooza de 2015 contou 10 minas na sua lista Mulheres do Lolla, levando em conta os grandes artistas. Bem menos de 1/5 dos músicos já que houve mais de 50 bandas no evento.

No maior festival do gênero no país, cerca de 30 mulheres subiram nos palcos em 7 noites de evento, cada uma com mais de dez atrações divididas em 5 palcos.

O cenário musical ainda é, em sua maioria, composto por homens, mas tem minas reagindo a isso, como as da La Loba.

Foi graças a universidade em que estuda, a Unifesp, que Naty Frehley conheceu meninas que, como ela, tinham um sonho de lutar pelos seus direitos usando a música. “Eu tô numa universidade e dizem que é um universo [de pessoas diferentes]. Então, deve ter alguma mina aqui que saiba tocar alguma coisa”, pensava ela cansada de se sentir reprimida por cantar em bandas só com caras.

Foi com esta ideia e nesta busca que Naty conheceu Daíse e Lu. As 3 ingressaram no universo facul no mesmo ano, 2014, para cursar Filosofia.

“Eu conheci a Daíse e já comecei a chamá-la de banda. Nem lembrava o nome dela, pra mim era Deise. E depois, ela me disse que tinha uma outra mina que toca, que era a Lu”, diz Naty com um sorriso no rosto, lembrando como a banda nasceu.

Daíse já tinha visto um vídeo de Naty cantando no antigo grupo musical e, depois de um encontro nos corredores da universidade, elas decidiram formar uma banda só de garotas. Com vocalista, baixista e guitarrista, estava na hora de ir atrás da baterista.

No início de 2015 veio a calourada e no meio da turma nova, a Marília. Formada em Musicoterapia e trabalhando com crianças deficientes na AACD, ela entrou para cursar Ciências Sociais e logo viu no Facebook da Unifesp que um trio de minas estava atrás de baterista pra banda. Com ela, surgiu a La Loba.

“La Loba é o nome de uma antiga Deusa, a guardiã da mulher selvagem, mulher natural e verdadeira. O lobo representa a mulher, a psique feminina”, explica Marília, idealizadora do nome.

Formada pela Naty Frehley, Luciana Coelho, ambas com 20 anos, Daíse Benatti, 22, e Marília Poeira, 27, a banda ganhou nome na 1a. reunião do grupo.

As músicas abordam críticas sobre assuntos que as incomodam diretamente como: temas voltado a política, as desigualdades de gênero, e principalmente as questões de abuso que a mulher sofre na sociedade.

Preconceito pra além do gênero
O rock ‘n roll nasceu nos anos 50, tomou força no Brasil na década de 70 e, por mais que ele tenha 66 anos, ainda é um espaço muito machista. É mais fácil listar 15 bandas de rock compostas só por homens, do que 10 por mulheres. Ou quando se vê uma mulher em banda, geralmente ela está só nos vocais.

“Nós temos que ser protagonistas em tudo e também no rock ‘n roll. Não só de uma maneira passiva de ir e contemplar os caras tocando, mas da gente também fazer um som e passar essa ideia também”, diz Marília que vê muita resistência e sempre um ar de ‘nossa, mulheres tocando’, quando tem mina no palco.

Naty já sofreu esse tipo de preconceito quando cantava com uma banda de apoio masculina.

Ela percebia que os caras tocavam mais alto para que ela se sentisse oprimida e, por conta disso, cantava super insegura e não opinava nas decisões da banda.

Minas se emponderando
Elas fazem parte de um movimento que está crescendo. Projetos como o Revirada Feminista – que engloba diversas manifestações artísticas feministas -, mostram que as minas estão reivindicando espaço e querem ser ouvidas.

“A gente já sentiu no nosso círculo de amizade um emponderamento das amigas, do tipo ‘poxa eu também vou [no show], também vou montar [uma banda só de minas], quero participar, vou escrever uma música para vocês’”, conta Marília.

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