Formamos jovens que ainda não acessam de forma democrática a produção da mídia – tanto tradicional quanto livre – e produzimos, com eles, jornalismo que reflete uma visão periférica, porém majoritária, da realidade nacional. Ao mesmo tempo, trabalhamos em parceria com veículos da grande mídia e também da mídia independente (como UOL TAB, Huffington Post Brasil, canal Futura, Agência Pública, Periferia em Movimento, Catraca Livre e AfroGuerrilha), distribuindo grande parte das reportagens produzidas na Escola para mais de um milhão de pessoas.

Na nossa visão, tanto as universidades quanto a imprensa estão ensinando e fazendo um jornalismo desconexo da realidade. Primeiro porque falta diversidade em ambos os espaços. Nove em cada dez jornalistas diplomados foram formados em faculdades privadas (Pesquisa “Quem é o jornalista brasileiro”, UFSC, 2012). Na mesma pesquisa, o percentual de negros entre os jornalistas era inferior à metade da presença de pretos e pardos no Brasil (72% dos jornalistas eram brancos, enquanto 52% da população brasileira se declara negra segundo o IBGE).

E depois, porque a resistência da imprensa brasileira às mídias digitais afastou o jovem do jornalismo. No entanto, são eles, os nativos digitais, que mais podem trazer um olhar do ponto de vista do usuário, do novo consumidor de informação. E, portanto, possibilidades para repensar formatos e até estratégias de sustentabilidade.

Acreditamos que diversidade é crucial para a sobrevivência da mídia. “Em 2050, mais de 50% dos americanos serão não brancos”, afirmou Paul Cheung, presidente da Associação de Jornalistas ásio-americanos, em entrevista para a revista americana The Atlantic. Mais do que de publicidade ou de novos modelos de negócio, as publicações precisam de seus leitores para sobreviver.

No Brasil, não brancos já são maioria. O que torna urgente a busca por representar esses interesses como forma de se manter vivo. “Toda hora somos bombardeados com a ideia de que o melhor é o de fora, que o importado é bom e que o que você tem por perto não vai te saciar. Paramos de valorizar o local porque ninguém fala sobre ele”, afirma Alexandre Ribeiro, aluno da Escola de Jornalismo.

Para 2017, queremos continuar nosso trabalho formando jovens que irão diversificar a mídia por dentro. Vamos estabelecer parcerias recorrentes com grandes veículos como UOL para publicarmos uma média de 10 grandes reportagens no ano e também, por meio das #nanobolsas, explorar um cenário de pautas nacional. E vamos expandir nossa formação em diversidade no jornalismo para processos de trainee em grandes redações e também nas universidades.

Mas também queremos dar um passo adiante, que é criar um fundo para apoiar iniciativas de mídia independente e experimental, que nascem a partir dessa rede capacitada. Acreditamos que, com esse investimento, temos a capacidade de suportar inovações em formato, estratégia de distribuição e criação de novas ferramentas para que jornalistas locais possam falar diretamente com suas comunidades – formando público e garantindo, por meio dele, sua sobrevivência.

Leia aqui parte da nossa produção recente.