Educação grátis

Texto: Vanessa Ribeiro

Cada um tem seu jeito de aprender. Uns preferem ouvir, outros ler e tem aqueles que gostam mais de ver vídeos. Seja qual for o seu perfil, você pode encontrar um curso na Internet para aprender algo que tem vontade. E o melhor: sem colocar a mão no bolso. Mas fi que esperto. Muitos cobram algum tipo de taxa depois que você já começou. Testamos a maior parte deles e listamos ao lado os que oferecem cursos grátis de verdade.

ME SALVA!
Tirou nota baixa? Aqui é possível ter aulas de exatas. Os conteúdos são voltados para quem está no ensino fundamental, médio e vestibular. Os professores sempre ajudam e respondem as dúvidas dos alunos. O conteúdo é gratuito e dinâmico.
mesalva.com

ÉNOIS
Tem interesse em experimentar cursos na área da comunicação? A Énois | Escola Livre de Conteúdo Jovem oferece seu primeiro curso de produção de videodocumentário. As aulas são em formato de vídeos tutoriais e dinâmicas.
udemy.com/enois-videodocumentario

CURSO DE VIOLÃO
Você só precisa se cadastrar e estudar. Durante o curso, há provas que valem nota. A única taxa que tem que pagar é a de R$ 19,90 no final do curso para pegar o certificado – mas não é obrigatório. Precisa ter 60% de aproveitamento para conseguir o certificado.
cursoviolao.mus.br

VOCÊ APRENDE AGORA
O Você Aprende Agora tem lições de inglês para iniciantes e também para quem quer se aperfeiçoar. É preciso fazer cadastro. As aulas são todas em vídeo. O método de ensino é baseado na Universidade de Cambridge.
voceaprendeagora.com

ABED
No site da Associação Brasileira de Ensino a Distância dá para encontrar cursos de todas as áreas. E consultar se eles são livres, autorizados, grátis, pagos, credenciados ou não pelo MEC.
abed.org.br

 

#FICADICA
Se, além de aprender, você gosta de ensinar, vai curtir o Cinese: você pode dar uma oficina do que quiser, é só marcar data e local de encontro. Interessou? Tem mais na página 14. Dá um pulo lá!

E se não existisse mais água

Texto: Vanessa Ribeiro
Arte: Bernardo França

Tome esse balde de água fria: em 2030, quase metade da população mundial pode ficar sem água. Já pensou nisso? Imaginamos como seriam algumas situações do nosso cotidiano se esse dia chegar – e aproveitamos para calcular os litros que desperdiçamos em cada uma delas.

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BANHO

COMO É: Uma chuveirada de 5 minutos, fechando o registro na hora de se ensaboar, consome uma média de 45 litros de água.
COMO PODE SER: Com uma geleca que seca na pele e absorve a sujeira. Na África do Sul, um universitário já criou um gel que substitui a água e o sabão.

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LOUÇA

COMO É: 15 minutos lavando pratos desperdiçam 117 litros de água.
COMO PODE SER: Teremos pratos e talheres comestíveis. Assim, quando acabar a refeição, não precisa lavar louça. Os pratos já existem. Foram desenvolvidos por designers do instituto holandês Piet Zwart, em Rotterdam.

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ESCOVAR OS DENTES

COMO É: 5 minutos de escovação levam 12 litros de água pelo ralo.
COMO PODE SER: Engoliremos a pasta de dente. Nos Estados Unidos, já existe uma escova que libera o creme e dispensa água.

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PRIVADA

COMO É: Uma única descarga também gasta cerca de 12 litros de água.
COMO PODE SER: Vamos enterrar o cocô, igual cachorro. O Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (GO) transforma os dejetos em adubo.

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LAVAR A ROUPA

COMO É: 15 minutos de torneira do tanque aberta levam embora 279 litros de água.
COMO PODE SER: Teremos roupas descartáveis e biodegradáveis. Tipo aquelas de TNT que são usadas por médicos e enfermeiros.

Fonte: Albano Araújo, coordenador da estratégia de Água Doce da TNC – The Nature Conservancy

Burguinho da madruga

hamburguer

Por Matheus Oliveira

A situação é a seguinte: é tarde da noite, você está jogando videogame com os amigos e bateu aquela fome. O que fazer? Já pro fogão! Vamos começar pelo hambúrguer.

Você vai precisar de maminha ou alcatra moída – um quilo custa entre R$ 10 e R$ 15 e rende uns 11 hambúrgueres. Com a carne em uma tigela, coloque sal e pimenta do reino a gosto e três colheres de sopa de molho barbecue para cada quilo de carne.

Misture tudo com as mãos, amassando bem. Depois, é só modelar o hambúrguer e mandar para a frigideira quente. Em fogo baixo, doure cada lado de sete a dez minutos. Para acompanhar, três opções de molho.

Creme de alho: amasse bem três dentes de alho junto com sal e azeite de oliva. Depois misture com maionese e um pouco de creme de leite.

Molho de cheddar: derreta o queijo numa panela e adicione creme de leite até ficar cremoso. Finalize com um pouco de orégano.

Molho rosê picante: misture ketchup, molho barbecue e creme de leite, adicione algumas gotas de molho de pimenta e misture tudo. Vai por mim: com essa receita, o jogo não vai ser a melhor parte da sua madrugada.

Junte as moedas e caia na estrada

malinha

Texto: Harrison Kobalski

Quer viajar nas férias, mas a grana tá curta? Calma! Dá para rodar por aí gastando bem pouco (ou ganhando, se for o caso). Tá pensando em ir de busão? Os sites Embarcou.com e o GuichêVirtual.com.br são alternativas para buscar tarifas baratas e também aceitam parcelamento da fatura. Se for para algum lugar longe, vá de madrugada e aproveite um dia a mais de viagem. De carro? O site Caroneiros.com tem motoristas dispostos a rachar o percurso. Hospedagem? Inscreva-se no Couchsurfing.com.br e procure um sofá amigo para te receber. Ou busque um hostel econômico no Hostelworld.com. Alguns servem café da manhã. Agora, se você quiser radicalizar e viajar de navio, tem a opção de trabalhar enquanto viaja – e, de quebra, fazer amigos. Veja vagas para tripulação no site Portsideagencia.com.br.

#FICADICA

Para comer barato, pesquise o que o lugar oferece antes de ir e aposte nos restaurantes onde a população local come. O Guia Catraca Livre e o aplicativo Food Brasil também têm indicações. Mas o mais barato mesmo é fazer um supermercado e dividir os gastos com o pessoal.

Engrossa o caldo aê!

Papo Kbça

Texto: Paula Desgualdo
Foto: Julia Motta

Algumas bibliotecas são espaços públicos. Logo, elas pertencem a você. Tem gente que já se deu conta disso e está ocupando o vão das prateleiras com vozes, música e atitude.

No segundo sábado de cada mês, a biblioteca municipal Cora Coralina, em Guianases, no extremo leste de São Paulo, vira palco de poetas, dançarinos, instrumentistas, escritores e rappers.

Tem varal poético, performance e caldinho de feijão – com cuidado para não sujar os livros. E tem, principalmente, gente que entende o espaço público como um lugar que deve ser ocupado pelas pessoas.

É assim o Sarau de Arte Maloqueira, ou só Sarau da Maloca, organizado pelo coletivo de mesmo nome. “Nossa proposta é a apropriação dos espaços públicos, institucionais e alternativos, e a biblioteca é mais um deles”, explica Renildo Oliveira, 27 anos, integrante do grupo e jovem ativo da comunidade (como quis se apresentar nesta reportagem).

Nas últimas décadas, a relação dos jovens com a biblioteca vem passando por transformações importantes. “Por muito tempo, foi algo sufocante, porque ir à biblioteca significava fazer consultas solicitadas pelos professores para algum trabalho ou prova”, lembra William Okubo, coordenador da Coleção de Literatura e Humanidades da Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo. Basta uma visita à biblioteca estadual Parque de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, para ver que algo está mudando.

“POR MUITO TEMPO, A BIBLIOTECA FOI ALGO SUFOCANTE, PORQUE SIGNIFICAVA FAZER CONSULTAS PARA TRABALHOS E PROVAS”

Inaugurada em 2010, no meio de um complexo com cerca de 15 favelas, ela é toda feita de vidro e não segue à risca aquela história de manter silêncio. “Mais que um local para leitura, é uma área para estar junto”, conta o diretor Alexandre Pimentel.

Pensar em um espaço que dialoga com o território parece ter aproximado o público. Vários projetos foram propostos pelos jovens da própria comunidade, que começaram a aproveitar o lugar para realizar outras atividades. Todas as noites, depois das 20h, rola um ensaio do pessoal do hip hop, e o sarau que já existia na região há 12 anos agora acontece na biblioteca.

“São duas questões fundamentais: o que fazer na região de periferia e qual é o papel da biblioteca moderna”, coloca Alexandre. Embora já tenha nascido com uma proposta de integração, a Manguinhos não é a única que se preocupa com a interação com a galera. Dê um passeio pela programação de outras bibliotecas e você vai encontrar atrações como teatro, oficinas, dança e cinema.

Na Viriato Corrêa, na Vila Mariana, em São Paulo, tem a Fantástica Jornada Noite Adentro, uma sequência de atividades que acontece durante a madrugada. “A tendência é que a biblioteca se torne, além de fonte de informação, um lugar para trocar ideias, fazer críticas e dar sugestões”, conclui Okubo. Agora que caretice não é mais desculpa, cola na biblioteca. \o/

 

#FICADICA

Na real, oferecer opções de lazer e cultura é dever do poder público. Suprir a ausência delas na região onde você vive pode não ser tarefa das mais fáceis, mas sem dúvida começa com o diálogo. Se você tem uma ideia legal para a biblioteca do seu bairro, o primeiro passo é organizar a proposta e conversar com o coordenador local.

Como contar para os seus pais

Texto: Vanessa Oliveira
Arte: Bernardo França

Pintou o caneco? Surrou a galinha? Bateu no marreco? Falar sobre assuntos delicados em casa não é fácil para ninguém. Mas, com humor e sinceridade, você chega lá. Veja algumas soluções divertidas para evitar engasgos na hora da verdade. 

 Firmeza 1
Que você foi mal na escola
Conte algo que seria terrivelmente mais grave: um objeto de valor inestimável quebrado ou a morte do cachorro. Depois do susto, a notícia não soará tão mal. Escolha bem as palavras: “Brincadeira! Eu APENAS estou de recuperação em matemática”.

 

Firmeza 2
Que você está namorando
Se está faltando coragem para assumir, use o primo do vizinho de cobaia. Diga que ele começou a namorar, que isso é supercomentado e agrega valor. Quando eles se acostumarem com a ideia, vai ser mais fácil desembuchar.

 

Firmeza 3
Que você não é mais virgem
Banque o especialista. Construa um megapainel com informações e dados sobre a importância do sexo para uma vida saudável. Para tranquilizá-los, diga que você tem se protegido (e use camisinha sempre, claro!).

 

Firmeza 4
Que você tomou um porre
Além da ressaca, você ficou se sentindo péssimo e está morrendo de vergonha. Simplesmente fale a verdade. Uma conversa aberta com seus pais pode ser acolhedora e esclarecer uma série de dúvidas que rondam a sua cabeça.

 

Firmeza 5
Que sempre rola bebida alcoólica nos rolês com a galera
Que tal usar a criatividade? Respire fundo e mande uma rima para introduzir o tema. A gente dá uma força com os primeiros versos: Eu adoro um rolê/ Mas não bebo nas festinhas/Nunca fui fã de bebida/Como alguns camaradinhas. Yeah!

Pane na central de controle

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Texto: Kayam Mendes
Arte: Eduardo Medeiros

Quando entra na corrente sanguínea, a bebida alcoólica é transportada para todo o corpo, inclusive para o cérebro. No sistema nervoso, sua ação é bastante complexa e ainda não totalmente conhecida. Mas o fato é que, consumida de maneira indevida, ela bagunça o coreto e nos faz pagar micos históricos. Veja o que pode acontecer na cabeça de quem perde a linha na zoeira. 

Assim que alcança a cachola, o álcool tem uma ação depressora sobre os neurônios inibidores, o que leva à excitação. Se o álcool diminui a inibição, a pessoa fica desinibida. Não à toa, a pessoa logo fica relaxada. No começo é só alegria…

… Mas animação costuma durar pouco. Ao seguir tomando, aumenta no cérebro a liberação de outro neurotransmissor, o GABA (ácido gama-aminobutírico). Como ele deixa os neurônios preguiçosos, adeus coordenação e autocontrole.

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Quanto mais birita para dentro, mais áreas da massa cinzenta podem ser afetadas:

Córtex frontal: é ele o responsável pelo nosso censo crítico. Quando o sujeito bebe, não consegue pensar com clareza e perde a noção do que deve fazer ou dizer. Daí, acaba chamando urubu de meu loro.

Medula: ela rege funções como a respiração, o estado de consciência e a temperatura corporal. O álcool dá sonolência, diminui a frequência respiratória e baixa a temperatura do corpo. Sintomas que em nada se ligam ao conceito de diversão, né?

Sistema límbico: é a unidade que controla as nossas emoções. Doses exageradas podem provocar desde ataques de raiva até crises de choro. E bem na frente da gatina (o) em que você tava interessado (a).

Bulbo cerebal: é ele quem comanda a circulação. A bebida alcoólica afeta essa área, diminuindo a pressão arterial. Resultado: possíveis enjoos e vômitos.

Hipocampo: essa é a parte do cérebro onde são registradas as memórias. Encharcada pelo álcool, ela não fica livre para exercer plenamente suas funções e você pode se esquecer do que fez no dia anterior. Vai que a lembrança é boa? #perdeuplayboy

O consumo do álcool pode prejudicar os neurônios e com isso causar deficiências de memória e atenção. Aí voce vai mal na escola e não sabe o porquê. 

NR03_PORDENTRO.indd ALERTA!

Pequenas doses: o sujeito perde a vergonha, fala mais, se sente mais corajoso e disposto – e corre mais riscos.

Altas doses: o cara fica se achando, fala demais, pensa que virou o super-homem e fica malzão no dia seguinte.

Menu degustação

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Carol Ventura é uma experimentadora de empregos. No futuro, quer trabalhar com recursos humanos.

Texto: Vanessa Ribeiro
Foto: Lucas Albin e Harrison Kobalski

Caroline Ventura, 21 anos, já vendeu alho, entregou panfleto no farol, trabalhou em metalúrgica, foi atendente de telemarketing, barista, caixa de estacionamento, repórter e – ufa! – hoje é funcionária de um supermercado.

Passou por tantos processos seletivos que garante dominar as técnicas para mandar bem em qualquer entrevista. “Eu comecei a trabalhar aos 9 anos, porque queria ter as minhas coisinhas”, conta. Depois disso, não parou mais: foi acumulando experiências.

Mãe de dois filhos pequenos, ela encontrou no trabalho uma fonte de sustento e um caminho para buscar um futuro melhor. Comunicativa, Carol está feliz e realizada como atendente de supermercado. Aliás, o único trampo que ela não gostou foi o de telemarketing, justamente por sentir falta do contato pessoal.

“Não tenho paciência nenhuma de ficar só ouvindo cliente”, desabafa. No trabalho atual é diferente. “Não deixo os problemas me abalarem e faço tudo bonitinho.” Ela chegou a cursar faculdade de marketing, mas não gostou do curso tanto quanto imaginava.

Mais para frente, o plano é tentar uma bolsa para um curso de recursos humanos ou psicologia. Aí quer ser a pessoa que seleciona nos processos seletivos, não mais a candidata à seleção. “É trabalhando que eu vou adquirir experiência para isso”, acredita. “Ainda quero ter uma bela carreira.” Em curto prazo, no entanto, ela só quer saber de descansar. “Pela primeira vez na minha vida, eu agendei minhas férias”, diz, sorridente.

Perfil da reportagem “Em busca do trabalho perfeito”

#FICADICA

GlückProject.com.br: o site fala bastante da relação que o homem tem com trabalho e a felicidade.
99jobs.com: de forma gratuita, a plataforma seleciona as empresas que mais têm a ver com o seu perfil.
Escolafreelancer.com: dá dicas de como se tornar um bom profissional freelancer e como se dar bem na área de atuação.
Atados.com.br: disponibiliza vagas para quem procura trabalhos voluntários pelo Brasil.
Facebook/oficial.ciee: dê um like na página do CIEE e receba oportunidades de trabalho em grandes empresas.

As minas

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As donas do D’Blacks se orgulham de serem empreendedoras e divulgarem o estilo afro.

Texto: Vanessa Ribeiro
Foto: Lucas Albin e Harrison Kobalski

Uma marca bem urbana, que reúne movimentos sociais com uma cara negra e periférica. Essa é a proposta da D’blacks (goo.gl/owbdUJ), a loja de roupas online criadas pelas amigas maranhenses Daniela Mirian, 20 anos, Geisa Fernanda, 20, e Thamires Lopes, 16.

Depois de fazerem um curso de pintura em tecido, elas tiveram a ideia de vender roupas customizadas à mão por elas mesmas. Com poucos meses de vida, o negócio – que começou apenas como uma fonte complementar de renda – já tem um retorno legal. “O engraçado é que, quando fazíamos o curso, não pintávamos muito bem, mas hoje a gente até se surpreende”, conta Geisa.

Por enquanto, as encomendas são feitas por meio da fanpage, mas a ideia é expandir. “Queremos que a D’black’s cresça, já vimos projetos pequenos como esse virarem sucesso”, afirma. “Pensamos em comprar uma máquina de estampa mais para frente, para produzirmos muito mais.”

A dinâmica do trabalho é bem simples: todas fazem de tudo. Elas administram a página na internet e pintam o mesmo número de camisetas conforme a disponibilidade de cada uma. “Ás vezes,  uma começa e a outra termina… Afinal, uma mão lava a outra”, diz Daniela. Entre os planos para o futuro, também está a qualificação de pessoas para ajudar na produção. Thamires, a mais nova do grupo, conta com orgulho como é ser uma jovem empreendedora: “É legal a sensação de ter utilidade e criatividade. Vender algo que você fez é sensacional!”

Perfil da reportagem “Em busca do trabalho perfeito”