O ano da primeira vez

Ufa. Como você tá se segurando por aí? 

Aguenta mais um pouco que o-ano-que-nunca-acaba tá chegando ao fim! Antes que acabe, ainda queremos contar o tanto de coisa que fizemos. E muita coisa pela primeira vez.

Pela primeira vez tocamos encontros formativos pra mais de 80 jornalistas e comunicadores locais, em mais de 18 estados brasileiros (dos quais mais de 50% estavam tendo acesso a um curso de jornalismo pela primeira vez). Tudo online. Pela primeira vez, a gente deu oficinas de formação para jornalistas nos estados do Norte do Brasil, e pudemos ampliar nossa visão – sudestina – sobre o que é a comunicação popular, de território e periférica.

Pela primeira vez, apoiamos 10 redações fora do eixo Rio-São Paulo (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul) para serem mais diversas e representativas das comunidades que cobrem. É a primeira vez que fazemos um trabalho em dupla entre editores-mentores e repórteres, que trazem vivências e trajetórias sociais e raciais diversas para o jornalismo de iniciativas tradicionais ou homogêneas. Mais de 50% delas já tinham feito ações práticas de formação e mentoria e discussões – ainda que informais – sobre inclusão e diversidade. E querem e precisam fazer mais.

Distribuição: de jornalismo e de grana

Esse foi um ano onde pela primeira vez tivemos uma equipe para olhar especificamente para diferentes maneiras de produzir e distribuir jornalismo. O deslocamento foi presente em todos os momentos. Buscamos referências lá fora, além até mesmo da bolha do jornalismo. Estudamos e trocamos com Grada Kilomba, Ailton Krenak e Anapuaka Tupinambá para perceber que a comunicação deve começar na escuta. Pela primeira vez, fomos escutar jovens para saber como consomem notícias – e construir um guia para tentar fazer o jornalismo falar uma língua mais jovem.

Pela primeira vez, a Énois distribuiu grana pra rede. Foram R$ 44 mil em bolsas de reportagem e de participação nas formações de Jornalismo e Território. Outros R$ 56 mil foram para 15 repórteres, de 5 coletivos parceiros, diretora de arte, revisora, entregadores e para a Feira Preta, que somaram com a gente na produção do Prato Firmeza Preto. E outros R$ 85 mil para o pagamento dos 10 repórteres participantes do programa Diversidade nas Redações e os facilitadores das formações.

Conhecimento compartilhado

Pela primeira vez, sistematizamos métodos e orientações práticas para traçar caminhos em direção à diversidade no jornalismo, com a Caixa de Ferramentas.

A gente sistematizou, pela primeira vez, todo o conhecimento criado para gerenciar e fazer nossa gestão administrativa e financeira. E vamos compartilhar isso com outras organizações e coletivos do campo que precisam se estruturar, mas não possuem experiência ou recursos para investir na área. Aguardem!

Pela primeira vez também pudemos refletir de forma mais aprofundada sobre o lugar do dinheiro nas nossas relações e no financiamento da produção jornalística. E, por meio de leituras como o Calibã e a Bruxa, pudemos estabelecer políticas feministas e antirracistas para lidar com a grana dentro da instituição. 

Pela primeira vez, o Prato Firmeza foi feito por uma equipe de 32 pessoas. Pela primeira vez, todos os repórteres e editores do guia eram negros e negras. Pela primeira vez, o editor chefe do Prato Firmeza foi um ex-aluno da Escola de Jornalismo. E pela primeira vez, deslocamos o eixo do guia, que eram os territórios, para as territorialidades negras da gastronomia paulistana. Foi também a primeira vez que o PF virou podcast.

NO RADAR

► Em 2021, vai ter Prato Firmeza no Rio de Janeiro e também Prato Firmeza Campo e Cidade! Mais uma vez, o projeto foi contemplado pelo edital da Fundação Cargill, e agora vai se embrenhar pelos interiores desse Brasil.

► O programa Diversidade nas Redações continua e você vai poder acompanhar nossos aprendizados pelas redes sociais.

► Tamo chegando, região Sul e Centro-oeste! Ano que vem, é vez dos repórteres dessas quebradas participarem da formação de Jornalismo e Território

► Últimos dias para doar! Você pode fazer uma doação pra gente produzir um documentário sobre coletivos de jornalismo das quebradas do estado de São Paulo.  E, de quebra, essa doação pode ser abatida do valor devido do seu imposto de renda. Não tava sabendo? Se liga que as doações vão até 21/12. Ajuda nois! bit.ly/apoieaenois

► Ah, a gente também continua com nossa campanha de assinaturas, viu? Dá um pulo no benfeitoria.com/enois e faça sua doação recorrente. Assim podemos continuar a experimentar os processos educativos do jornalismo por aqui 😉

Um salve e muito obrigada a todes apoiadores da Énois ♥

Ana Luiza Gaspar, Amanda Rahra, Andrei Rossetto, Angela Klinke, Anna Penido, Bernardo de Almeida, Camila Haddad, Carolina Arantes, Claudia Weingrill, Daniela Carrete, Danielle Bidóia, Danilo Prates, Darryl Holliday, Felipe Grandin, Fernanda Miranda, Fernando Valery, Flavia Menani, Fred Di Giacomo, Frederico Bortolato, Giuliana Tatini, Guilherme Silva, Juliana Siqueira, Júnia Puglia, Larissa Brainer, Luciana Stein, Mauricio Morato, Natalia Barbosa, Nataly Simon, Rafael Wild, Renata Assumpção, Susu Jou, Tatiana Cobbett, Vanessa Adachi, Vinícius Cordeiro e Vitor Abud.

Skip to content