Diversa

O Norte não é um deserto de notícia

25 de abril de 2022

 

Não combatemos desertos, mas alimentamos as narrativas próprias da Amazônia.

 

Jessica Mota, coordenadora do Programa Jornalismo e Território 2022

Oi gente, como estão? Jessica por aqui. Este ano estou coordenando o programa Jornalismo e Território, que nasceu para o mundo junto com a pandemia. Lá no começo, quando esse programa foi gestado na Énois, a previsão era de aulas presenciais, só no Sudeste. Veio a COVID-19 e nos empurramos para as aulas online, ao mesmo tempo em que expandimos geograficamente. 

Em 2020 e 2021, com o apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Porticus e do Repórteres Sem Fronteiras, passamos pelas telas de comunicadoras e comunicadores locais de todo o Brasil. Agora, nos voltamos para a Amazônia para nos debruçar sobre o exercício de reportar sobre a crise climática a partir dos bairros e cidades da região.

Pois é, no começo do mês, encerramos o primeiro ciclo de encontros desta edição do Jornalismo e Território. Tivemos uma turma de 17 pessoas, todas de Manaus e Boa Vista. Elas produziram nove conteúdos com esse foco. Além disso, as discussões aqui dentro geraram um Redação Aberta e duas diversas. Mas lá no começo do ano, tínhamos esse frio na barriga coletivo: quem somos nós pra chegar e como? 

Nosso primeiro Café de Afetos do ano, então, foi sobre Amazônia, e desde lá estabelecemos um percurso de troca como equipe para refletir sobre nosso fazer. Tínhamos já mapeado questões objetivas com as quais precisaríamos lidar na produção desta nova edição do Jornalismo e Território, por exemplo.

Ao mesmo tempo em que tínhamos a falta de conexão de rede de Internet estável como uma questão sensível em toda a região, também nós mesmas não tínhamos muitas redes com as quais poderíamos nos aproximar de jornalistas e comunicadores da Amazônia. Começamos, é claro, por quem já temos perto, afetiva e virtualmente: a rede de jornalistas locais da Énois. Você, bem provavelmente, queride. 

Assim, falamos com jornalistas e organizações que já se relacionam com a Énois, e também criamos novas pontes. Da divulgação das inscrições à publicação das matérias: nada seria possível se não fosse esse emaranhado de gente, que chamamos de rede. Obrigada ao Instituto Socioambiental e à Fundação Amazônia Sustentável, aos colegas jornalistas e a você que nos lê por ter ajudado com as divulgações.

Pensamos que, ao dar partida nessa viagem, estaríamos ajudando a combater os desertos de notícias. Mas no meio do caminho, em um papo onde sentamos em roda com Eliane Brum – cada uma de sua casa – entendemos que o deserto não é vazio. Ao contrário, o deserto é cheio de organismos vivos. Assim, sinto que neste primeiro ciclo de Jornalismo e Território, não combatemos desertos, mas alimentamos as narrativas próprias da Amazônia.

Tivemos matérias em texto, assinadas por Alicia Lobato, Beatriz Oliveira, Caio Profiro, Celina Pinagé, Dirce Quintino, Etelvina de Souza, Jonathan Bernardo e Luana Vieira, publicadas por parceiras e parceiros da Abaré Jornalismo, Amazônia Real e (((o eco))). Também tivemos o vídeo de Gracildo Kokama e Pedro Diamantino, veiculado no Jambo Verde, portal local da região do Alto Solimões. Geovana Silva, Tailane Cruz e Tainara Cruz produziram um vídeo sobre como as pessoas têm percebido a emergência climática na rotina da comunidade Três Unidos, a 60 km de Manaus. Kunhavé Juma, de Humaitá (AM), produziu um podcast entrevistando sua mãe sobre os impactos da crise climática na agricultura, que será publicado pela Énois e divulgado pela Rede Wayuri e pelo programa Copiô Parente, do ISA. Ah, e teve ainda o vídeo pro Instagram da Rede Amazoom, produzido pela Fernanda Fernandes e pela Fernanda Vasconcelos, ambas de Boa Vista (RR)!

Recebemos Claudia Ferraz (Rede Wayuri), Gabriella Mesquita, Marco Túlio Pires (Google), Rodrigo Jesus (Greenpeace) e Samela Sateré-Mawé, e existimos como redação online por cinco semanas. 

São muitas as sementes da cobertura sobre justiça climática plantadas neste primeiro ciclo. Mas a certeza é que, realmente, como disse a Eliane, não tem deserto. Temos um ecossistema rico de produções locais e da comunicação que não se resume aos portais e jornais. Um caminho rico em biodiversidade.

Nesse barco, navego bem pertinho de Danila Jesus e Sanara Santos, as magas da formação na Énois; de Carol Pires, que maneja muito bem a bússola das planilhas; de Sara Santos, a que tem a chave do cofre; e de Camila Simões, que sempre levanta a âncora pra gente seguir em frente. 

Faça você também a sua sala de redação e bora produzir. Abaixo a Camila Simões, conterrânea paraense e editora-mentora do programa, dá as dicas de como fazer.

Comece pela sistematização

Acho que vale começar do começo. Sente com aquelas pessoas amadas e pense em como vocês podem pautar um tema específico e discutir sobre ele. A dica é considerar, ao menos:

  1. 1 troca sobre o tema escolhido: com facilitadores que ajudem a entrar naquele universo e definir os caminhos mais legais;
  2. 1 troca que reflita sobre a diversidade no território: as pautas, os entrevistados e mesmo as abordagens estão à nossa volta, basta prestar atenção;
  3. 1 troca de produção: os colegues comunicadores podem trazer ideias, pensar em formatos, ouvir dicas, direcionamentos coletivos e seguir pra produção!
  4. 1 troca de resultados: todes podem falar da experiência de ampliação das percepções do mundo a partir do tema, como foi a experiência durante a produção, os desafios e dificuldades, além de mostrar os materiais publicados.

Fale pra todo mundo!

Com isso em mente, e em uma tabela (mil corações), comunique a sua rede! Chame pessoas para se inscrever, verifique a disponibilidade de todo mundo, já deixe os veículos parceiros interessados e administre os encontros.

Produzir e produzir

Esse movimento de sala de redação vai se tornar muito mais interessante se pessoas saírem com materiais de comunicação produzidos ou encaminhados. Pelo simples motivo de que precisamos tomar nosso lugar nessa produção de informação qualificada! A diversidade – de pessoas, olhares, abordagens, situações, vivências, etc – está à nossa volta!

As parcerias de publicação

Os parceiros podem ser a nossa própria rede: aquela pessoa que tem aquele blog ou canal de Youtube, aquele colegue que produz conteúdo nas outras redes sociais e tem um podcast legal. Ter atenção e foco ao organizar esses contatos pode poupar um tempo precioso, inclusive, em projetos futuros.

É hora de celebrar

Aí, é só correr pro abraço! Agradeça aos participantes, aos membros da equipe, aos parceiros. Celebre cada publicação, cada palavra, vídeo, áudio, com todes! Reportar é um ato político.

Um salve e muito obrigada a todas as apoiadoras e todos os apoiadores da Énois ♥

Ana Luiza Gaspar, Alessandro Junior, Amanda Rahra, Andrei Rossetto, Angela Klinke, Anna Penido, Alexandre Ribeiro, Bernardo de Almeida, Camila Haddad, Carolina Arantes, Claudia Weingrill, Danielle Bidóia, Daniela Carrete, Danielle Bidóia, Danilo Prates, Darryl Holliday, Evelyn Dias, Felipe Grandin, Fernanda Miranda, Fernando Valery, Flavia Menani, Fred Di Giacomo, Frederico Bortolato, Gabriel Araújo, Giuliana Tatini, Guilherme Silva, Gilberto Vieira, Harry Backlund, Iano Flávio, Juliana Siqueira, Júnia Puglia,Kelayne Santos, Larissa Brainer, Larissa Sales, Luciana Stein, Marina Dayrel, Maire da Silva, Mauricio Morato, Natalia Barbosa, Nataly Simon, Patrícia Grosso, Patty Durães, Rodrigo Alves, Rafael Wild, Renata Assumpção, Ricardo Feliz Okamoto, Susu Jou, Tatiana Cobbett, Thais Folego, Vanessa Adachi, Vinícius Cordeiro e Vitor Abud. Se você quer ver seu nome aqui, basta se tornar nossa apoiadora ou apoiador: benfeitoria.com/enois

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