Redação Aberta #20, veja como foi!

Oi, pessoal. Como vocês estão?

É sempre difícil fazer essa pergunta para alguém na pandemia, né? Por aqui, vamos nos segurando nos momentos de fortalecimento, como foi o Redação Aberta #20. E aí, o que achou do nosso encontro? Te convido a compartilhar as impressões e sugerir novos temas na nossa pesquisa. Para nós, o seu feedback é fundamental.

Se você não assistiu ainda, pode ver a nossa conversa no YouTube ou no Facebook

Também te conto um resumo do que discutimos e adianto, foi massa!

Desta vez, o tema foi “Como medir o sucesso das ações de diversidade nas redações”. Vocês já pararam para pensar nisso? Às vezes, somos provocados a incluir a diversidade no nosso vocabulário, mas se a gente for refletir, essa é uma palavra bem ampla. O que o Redação Aberta #20 nos mostrou é que diversidade nunca vai ser uma ação específica, é preciso moer muito até implementar a cultura em todas as áreas de qualquer empresa jornalística.

O Érico Firmo, do jornal O Povo (CE), nos mostrou isso na prática. Quando eles entraram no Programa Diversidade nas Redações, levaram de cara um susto. “Meu sentimento particular era de que éramos uma empresa inclusiva. A gente tinha tradição isso, a presidente do jornal é mulher, há 24 anos a redação é dirigida por mulheres. Aí logo de início, quando fomos olhar a equipe de política, levamos o primeiro murro”, contou.

Um dos detalhes mais importantes descobertos por Érico nesse caminho pela diversidade é que há níveis de ações diferentes. Aquelas de produção, relativas às definições de pautas, criação de banco de fontes de pessoas negras ou trans, como eles estão fazendo no O Povo, eram as mais fáceis e rápidas. “A diversidade está na nossa carta de princípios, mas levar isso para dentro da equipe, do RH, é difícil. Temos uma pessoa trans na nossa equipe, já fizemos matéria cobrando o uso do nome social, mas isso não era feito dentro da empresa.”

Tanto Érico quanto Jordânia Andrade, repórter do BHAZ (MG), nossa outra convidada, acreditam que ter pessoas dedicadas a pensar a diversidade faz diferença no avanço das ações. “As pessoas costumam participar de palestras, workshops, mas na prática isso nem sempre flui. É importante ter alguém presente para fazer a ponte entre a diversidade e a realidade do repórter. Isso pode ajudar a construir algo que, às vezes, a própria universidade não permite”, disse Jordânia. 

Essa percepção ajudou no fortalecimento da própria Jordânia enquanto profissional, que hoje se sente integrante de um movimento de construção na redação. “É preciso trazer a visibilidade de forma justa. Criar grupos com os próprios repórteres, perguntar com que viés eles têm mais interesse de trabalhar, mas tentar buscar não só o que eles querem fazer, mas também o que eles precisam aprender. A realidade só vai te tocar quando você for até ela.”   

Como resultado, o BHAZ conseguiu ampliar as fontes, os territórios cobertos em Belo Horizonte e atingir novos públicos, que interagem com os repórteres e os conteúdos. O Povo, por sua vez, vem conseguindo mudar as estruturas e produzir pautas como esta sobre crianças e adolescentes trans, que gerou um tráfego de audiência de assinantes acima do esperado. 

Eles são integrantes de duas das 10 redações acompanhadas no Diversidade das Redações e conseguem ver essa evolução a partir da métrica criada no programa (veja aqui como aplicar na sua redação) por Jamile Santana, nossa gerente de Jornalismo. No Redação Aberta #20, Jamile contou como funciona esse acompanhamento, a partir da criação de pesos para cada ação e critérios avaliados. 

“Há ações que precisam de mais investimento, mais gente envolvida. É preciso cruzar os dados do deslocamento com as experiências reais, e considerar os perfis distintos das redações”, disse. O alerta de Jamile, e a impressão que fica depois da nossa conversa, é que atingir a diversidade como cultura nas redações leva tempo, será um caminho de altos e baixos, mas que, se feito aos poucos e com avaliações periódicas, leva a transformações reais. 

Obrigada e um abraço,

Alice de Souza

Coordenadora de Sistematização

alice@enoisconteudo.com.br

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