Você é amigo de alguma pessoa com deficiência?

Oi, pessoal. 

Como vocês estão? Espero que esteja tudo bem por aí!

Passando aqui para compartilhar com vocês as provocações deixadas pelo Redação Aberta #25, em que falamos sobre como promover um jornalismo anticapacitista. Esse é um tema oportuno, basta ver como cobrimos as recentes falas do Ministro da Educação e também as Paralimpíadas, mas que já vem martelando a nossa mente aqui na Énois há alguns meses, desde que Luciana Viegas e Adriana Monteiro estiveram conosco em uma formação. 

Luciana é autista ativista, mãe de autista, pedagoga, professora e uma das idealizadoras do movimento Vidas Negras Com Deficiência Importam. Adriana Monteiro é advogada, ativista pelos direitos das crianças com deficiência e mãe de duas crianças com deficiência. Assistir a um encontro com elas é sair se questionando muito sobre quantas vezes somos capacitistas ao fazer jornalismo.

Foi assim no Redação Aberta, em que convidamos as duas a conversarem com a nossa comunidade. Foi um encontro de muitas provocações, pois a verdade é que quase sempre somos capacitistas: toda vez em que buscamos falar das pessoas com deficiência pelo viés da superação; quando comunicamos sobre a deficiência e não sobre a pessoa; ou ao escolhemos uma trilha sonora melodramática para enfatizar um suposto sofrimento por trás da deficiência de alguém. 

Como falou Luciana, “a deficiência faz parte da diversidade humana. Há várias formas de existir, a gente não pode nortear um padrão normativo para a existência”, e o jornalismo tem uma responsabilidade na forma como ajuda a construir o ideal do que é a pessoa com deficiência na sociedade. A deficiência é um conceito cheio de perspectivas errôneas, criadas desde a infância. No Brasil, a gente ainda tem um modelo muito médico, que separa tipos de deficiência, “quando na verdade a deficiência não tem como estar encaixada em parâmetros. A acessibilidade precisa ser construída dentro dessa diversidade”, explicou Adriana.

No Redação Aberta, falamos sobre questões práticas, como os marcos históricos e legais que norteiam os direitos das pessoas com deficiência, as formas corretas de falar, termos que devemos usar e quais abandonar. A discussão também ganhou fôlego ao provocar por que a comunicação precisa ser não só sobre pessoas com deficiência, mas para pessoas com deficiência. Isso parte de não olhá-las como objeto de estudo. Ou seja, de contratar jornalistas com deficiência, de não hierarquizar dores e de não resumir essa conversa a momentos de perda de direitos.

Não é difícil e você pode começar agora. Basta parar dois minutos e pensar quantas pessoas com deficiência existem no seu grupo de amigos e o porquê desse número. Recomendo MUITO que você veja o vídeo completo do Redação Aberta, que está no nosso Youtube, para entender por que repensar as suas relações é um primeiro passo para construir um jornalismo anticapacitista. 

Para ajudar vocês nesta caminhada, compartilho também duas ferramentas que publicamos na nossa Caixa de Ferramentas da Diversidade sobre comunicação anticapacitista:

  1. Como promover uma comunicação anticapacitista
  2. Cuidados de linguagem para produções sobre pessoas com deficiência

Atenciosamente e até o próximo Redação, 

Alice de Souza 

Coordenadora de sistematização da Énois 

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